
Os vendedores ambulantes de Camaçari se reuniram, nesta segunda-feira (27), na Praça Desembargador Montenegro, para cobrar agilidade do governo municipal no retorno às atividades comerciais no local. A manifestação pacífica teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para o cumprimento da promessa de que os trabalhadores poderiam retomar a venda de seus produtos assim que a revitalização da praça fosse concluída.
Removidos do espaço durante o início das obras, muitos ambulantes foram relocados para outros pontos da cidade — medida que, segundo eles, resultou em queda significativa nas vendas. “Não consigo vender nem a metade do que eu vendia quando estava na Praça Desembargador Montenegro. Minhas vendas caíram muito, e até agora não sabemos quando poderemos voltar”, relatou o vendedor de pamonha Eduardo Pinto, que atua há mais de 20 anos no comércio local.
Assim como Eduardo, que distribuiu gratuitamente pamonhas e canjicas, como forma de protesto; o vendedor de sorvete Adilson Mendes também ofereceu seu produto de graça aos frequentadores da praça, durante a manifestação pacífica. Ambos alegam que, muitas vezes, retornam para casa com o carrinho cheio por não conseguirem vender seus produtos.

A primeira etapa da revitalização da praça foi entregue em abril, contemplando serviços de drenagem, novo piso, paisagismo e a recuperação da tradicional fonte luminosa. Recentemente, foi concluída a segunda fase das obras, que incluiu a construção de novos quiosques para atender aos permissionários que já atuavam no local. No entanto, a entrega gerou insatisfação entre os demais ambulantes, que afirmam não terem sido contemplados.
“Foram construídos apenas três boxes e um quiosque, número insuficiente para atender todos nós. Se os boxes tivessem sido feitos em tamanhos menores, mais ambulantes poderiam ter sido beneficiados. Não há necessidade de espaços tão grandes para vender churros ou lanches”, criticou um vendedor que preferiu não se identificar.
Apesar das insatisfações, os trabalhadores reconhecem o esforço do governo em organizar o Centro da cidade. Para fortalecer a categoria e buscar soluções conjuntas, foi criada a Associação dos Trabalhadores Informais (ATI), que tem como propósito contribuir para uma Camaçari mais justa e organizada.
“Estamos bem organizados e padronizados para voltarmos ao nosso local de trabalho. Os pais de família e trabalhadores estão sendo prejudicados com essa demora. Pedimos mais atenção das autoridades e agilidade para resolver o nosso caso”, disse a presidente da Associação, Josenilda Nascimento.
Vale ressaltar que o retorno trata-se apenas dos ambulantes que comercializavam lanches no local, como sorvete, água de coco e produtos derivados do milho, como pamonha e canjica, pois a praça é um espaço destinado ao lazer e encontro de famílias e amigos. Os demais produtos devem continuar sendo comercializados, de forma ordenada, em seus devidos locais, como no Centro Comercial e em outros quiosques espalhados pelo Centro da cidade.
A pedido da diretoria da ATI, o assessor especial do Executivo, Francisco Franco, compareceu à manifestação para dialogar com os trabalhadores e atuar como interlocutor entre eles e o governo, na tentativa de encontrar uma solução pacífica e imediata para o impasse.